Ao estudar instintos, pulsões, sadismo, masoquismo... veio à mente uma situação que me chamou atenção e que me deixa indignada pelo que exprime. No caso, lembrei do sorriso de satisfação, jubilo com um toque de sadismo esboçado por José Mayer no personagem de Marcos na novela das 8.
Olhando de parte vê-se um homem “vivendo a vida” como se estivesse numa casa de doces sem saber qual o melhor, qual escolher, qual vai lhe dar maior prazer ...
Observando de parte o comportamento do personagem Marcos, vemos que ele é representante de um grande número de homens que vivem a “ciscar em vários terreiros” para sentir quantas estão a seu dispor. Parece mosca de padaria, bica uma aqui, outra ali e vão levando sem se preocupar com o rastro que deixam, o que importa é que conseguem o alimento para o ego, numa ostensiva demonstração de baixa auto-estima e de uma insegurança frente a seu eu e a sua sexualidade.
Esposa, amantes, novas esposas, novas amantes e galanteios por onde passa, nenhuma saia passa despercebida... belo exemplar de garanhão no cio! No eterno cio em busca de afirmação pessoal.
Gostar? Em termos de relação homem mulher ele demonstra não gostar de ninguém além dele mesmo, respeito então, passa longe. Aliás, refazendo a frase anterior, ele não gosta nem dele mesmo, quem gosta de si mesmo quer mais de uma relação que este estado egóico de se sentir o eterno cortejado.
A cena foi fruto da lembrança da investida de uma menina bem mais nova que ele, de uma posição social inferior, mas, muito bonita, um belo exemplar feminino que o levou ao estado de “como depois descarto” quem vai se importar. Sentimento animales aguçado, ninguém segura mais este instinto desperto onde o outro é só objeto, fonte de prazer descartável.
Às vezes o bolo é tão bom que vem com um bem querer camuflado, no caso da segunda esposa, uma modelo nova, linda, independente e que aceitou abdicar de tudo por ele. Ficou monótona a vida dela como ser dependente e a ausência dele que continuava a busca em outras paragens foi a gota d’água para que a relação entrasse em desarmonia; as diferenças começaram a aparecer, o subjugar já não se realiza como o esperado, a grama do vizinho começou a ficar mais verde, a relação deixou de ser interessante, rentável.
Com a falta de gostar verdadeiro veio a intolerância às diferenças, diferenças estas que por darem trabalho de administrar não são bem vindas em relações líquidas, modelo muito comum neste nosso tempo... relações que estão a serviço do ego e que dispensam o trabalho do conviver, do compartilhar. Em uma relação de verdade o ser vem inteiro, com o bom e com o não tão bom assim, e por ser um ser, quer ser aceito como é, respeitado e amado sem ou com um mínimo de mascaras possíveis; quer poder se abrir, se mostrar...
Não sendo ou não podendo ser assim, resta o que estamos vendo: personagens como o da novela, só que na vida real a representar até para si mesmo. Triste!
Verinha 04/2010
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Uma bela análise, Verinha... Vim agradecer pela presença em meu blog, e já gostei do seu! Passarei sempre por aqui, e estou te seguindo!
ResponderExcluirbeeeijos!!! :)
Oi Ana, estou meio sem tempo para alimentar o blog, mas feliz pela sua visita e mais ,por ter gostado.
ResponderExcluirVisito seu blog e lá encontrei analise do livro que estou lendo "Mulheres que correm com os lobos". Seus comentários podem me ajudar a entender melhor pois tem trechos meio complicados. Bela esta iniciativa de mostra a importância de encontrarmos e alimentarmos nossa "Loba", ela distante de nós nos deixa vulneráveis e isso é perigoso. Preciso entender melhor, conto com sua ajuda.
Caso queira me enviar outras reflexões sobre o livro, pode mandar para meu e-mail. brittocalil@hotmail.com .
beijos e obrigada.
Verinha